domingo, 2 de agosto de 2009

This is the Suicide Season.

This is the Suicide Season.

O que poderia haver depois da morte?Ninguém sabe dizer, mas eu acho que nada pode ser pior do que essa vida, nada pode ser pior do que acordar todos os dias com o mesmo vazio, com o mesmo sentimento de tristeza e com a mesma angústia e dor.

Minha infância não foi das melhores, tive muitos problemas financeiros, mas minha mãe sempre se esforçava de um jeito ou de outro para me dar um mínimo de diversão.
Aos meus 9 anos eu fui morar com o meu pai, meu pai era alcoólatra e tinha uma cabeça muito fechada, nunca consegui ser amigo de verdade do meu pai, nunca consegui aturar meu pai por muito tempo.
Com 11 anos meu pai morreu em um acidente de carro aonde dirigia embriagado. Com 12 minha mãe foi mandada para um hospital psiquiátrico após a morte do meu irmão, que morreu de tuberculose.
Fui mandado para um orfanato e logo fui adotado por um senhor muito simpático.
Minha nova casa era um lugar bom, um condomínio de prédios. Pela primeira vez na vida eu me sentia bem, eu sentia falta da minha mãe, mas essa falta era suprida com excesso de carinho e com alguns confortos que eu nunca havia tido. Pela primeira vez na vida eu tive amigos, e lá eu conheci uma menina, era uma menina diferente talvez, eu sempre a via pela janela, mas nunca tinha falava com ela, ela era loira com cabelo comprido e um belo sorriso no rosto.
Quando eu fiz 13 anos eu pela primeira vez na vida tive uma festa de aniversário, convidei meus amigos e aquela menina, tive muita vergonha de convidá-la, mas era a minha única chance.
Naquela noite eu descobri pela primeira vez o que era amor, eu me apaixonei por aquela menina. Sem perder muito tempo começamos a namorar, era praticamente um sonho, era tudo tão bom, descobri muitas coisas da vida com ela. Até um dia descobrirmos o sabor da traição, da mentira e da falsidade. Continuamos com essa mentira, continuamos vivendo e escondendo um do outro o que o dois sabiam.
Quando fiz 19 anos meu pai (adotivo) morreu. Eu fiquei totalmente perdido, pois ele fora a primeira pessoa que me fez sentir a felicidade verdadeira. Fui à procura da minha mãe, mas nessa altura ela já tinha ficado louca completamente, aquele lugar transforma qualquer pessoa normal em esquizofrênica. Então minha namorada terminou comigo, dizendo que ela queria conhecer pessoas novas, e ter novas experiências, mas ela mal sabia que eu já sabia que havia outra pessoa com ela.
Fiquei dois anos sozinho, aquela falta que ela me fazia era extrema, mas eu consegui esquecê-la, usei muita gente para isso. Então um dia ela me ligou me procurando, e quando eu achei que eu estava totalmente curado daquela maldita maldição ela reapareceu e tomou de volta o que eu havia recuperado de mim.
Fomos a um show, de uma banda que sempre fui fã, uma banda que sempre disse tudo que eu precisava ouvir, tinha músicas que combinavam com os meus sentimentos, músicas que combinavam com a minha raiva, e com o meu desespero.
Eu sabia que eu já estava perdido novamente, sabia que eu iria viver aquela mentira pro resto da vida, mas como todo mundo sabe a vida nunca é do jeito que nos esperamos e ela decidiu ser boa comigo e mudar tudo completamente. Eram várias bandas que iam tocar aquela noite e no intervalo de bandas quando a minha banda favorita montava os instrumentos eu fui buscar algo para beber eu vi escorada no balcão uma garota linda, cabelos pretos longos, pele muito branca e cheia de sardinhas, mas um olhar vazio. Não conseguia parar de olhar para aquela garota, ela era especial, ela era linda, ela era diferente também, mas ela tinha um olhar sincero.
Percebi que meus olhares não foram retribuídos, então peguei a minha bebida e sai de perto. Aquele rosto não saia da minha cabeça, ela era linda demais e aquele desejo de ter ela era muito grande algo que eu não sabia explicar, algo que eu já havia sentido, mas eu não queria pensar nisso eu queria apenas pensar naquela garota.
Nunca fui muito fã de sites de relacionamento, mas parecia que era uma necessidade conhecer aquela garota, saber que era aquela pessoa que tinha mexido tanto comigo. Eu não sabia nada a seu respeito, não sabia nem o seu nome, mas eu tinha que procurar para pelo menos poder dizer pra mim mesmo “eu tentei”. Procurei direto nos amigos da “That’s Nothig Blue” (minha banda favorita), na primeira página eu vi aquela foto e reconheci na hora, era ela mesma.
Não sabia como falar com ela, não sabia como puxar assunto então surgiu milagrosamente uma excursão para um show fora do estado, então eu perguntei se ela ia e assim consegui conversar com ela.
Mas eu tinha cometido um grande erro, eu contei pra minha ex namorada e ela conseguiu virar amiga daquela garota e tentou algumas coisas para evitar qualquer possibilidade, mas do mesmo jeito eu tentei.
Marcamos de nos encontrar em um domingo para nos conhecermos melhor. Eu não conseguia ver a hora de chegar domingo para conhecê-la de uma vez.
Primeiro domingo de maio, um dia quente para a estação. Fiquei esperando ela no lugar marcado na hora marcada. Quinze minutos haviam se passado do horário marcado, mas ela chegou, ela era realmente linda.
Eu me sentia uma criança envergonhada, perto dela minhas pernas tremiam, minhas mãos suavam eu parecia ter 13 anos de novo, me sentia a mesma criança com as mesmas manias e as mesmas intenções.
Aquele dia terminou legal, mas não era o suficiente. Segunda-feira eu fui buscá-la na saída do trabalho e tomamos um café juntos, mas uma amiga dela foi junto então evitei falar qualquer coisa sobre o que eu sentia. Terça-feira, eu já estava apaixonado, fui buscá-la novamente ficamos sentados em uma praça conversando, ainda não tinha escurecido então em um momento de silêncio eu não agüentei e beijei-a, foi um beijo estranho, diferente, mas foi bom.
A partir daí começamos a nos ver todos os dias, ficamos cada vez mais próximos e cada vez mais apaixonados.
[O segredo que todos sabem, é o porem que ninguém espera... Quando algo foi escondido...]
Certo dia fui buscá-la como de costume e ela não tinha ido trabalhar, fiquei preocupado e fui a casa dela. Ao chegar lá toquei a campainha e ela abriu a porta com a cara toda cheia de lágrimas, nunca havia visto ela tão triste e aquela tristeza era a pior dor que eu poderia sentir.
Aos poucos fui acalmando ela e então consegui fazê-la me explicar o que havia acontecido, ela já tinha me contado sobre o ex namorado dela, que era simplesmente um doente mental um cara louco e viciado em heroína, mas eu não achava que era pra tanto até porque ele terminou com ela! Ela me falou que estava indo para o trabalho quando de repente ele a atacou na rua dizendo que sabia que ela tava saindo com outro cara e que se ela continuasse iria pagar muito caro por isso, ela ficou tão apavorada que não conseguiu ir trabalhar.
Nunca tinha sentido uma raiva tão intensa, fiquei com ela aquela noite, mas na manhã seguinte eu sai. Queria encontrar aquele canalha maldito, mas como?Eu já tinha visto ele por foto, mas eu não sabia como encontrá-lo. Mas eu queria encontrá-lo e eu consegui, tinha amigos viciados e eles me disseram o único lugar que vendia heroína na cidade então eu fiquei o dia inteiro de longe esperando ele até que uma hora ele foi. Eram quase 4 da madrugada, não tinha ninguém na rua, após fazer a compra ele saiu em direção a uma rua vazia eu o segui meio de longe quando ele parou para amarra os sapatos eu corri e chutei ele, quando ele caiu eu perdi meus sentidos e só lembro de olhar e ver que as minhas mãos estavam ensangüentadas e me lembro de ele tentar se levantar ,olhar bem no meu rosto e dizer”você vai pagar caro por isso.”Depois desse ocorrido ele sumiu da cidade e ninguém mais teve noticias dele.
Eu tinha voltado a ser feliz, quando terminei a faculdade com 23 anos consegui um bom emprego e decidimos morar juntos. Quando estava fazendo Seis meses que ela morava comigo recebi uma noticia maravilhosa, ela estava grávida de uma menina. Eu tinha esquecido toda a angústia que um dia eu senti, tinha esquecido todos os sentimentos ruins que já fizeram parte de mim.
Então numa manhã de domingo nossa filha resolveu nascer, era a criança mais linda que eu já tinha visto na vida, prometi pra mim mesmo que eu seria o melhor pai de todos.
Mudamos-nos para uma casa maior quando nossa filha completou Um ano nossas condições haviam melhorado e estávamos no auge da felicidade.
[O sol não nasce para todos, mas para todos os outros a noite também vem para esfriar tudo...]
Em um dia como todos os outros sai para trabalhar, era a folga da minha esposa então ela não levou nossa filha para a creche. Mais ou menos 2 da tarde recebi uma ligação de alguém dizendo para eu ir para casa correndo.
No carro eu não conseguia imaginar o que poderia ter acontecido, mas eu tinha medo de tudo naquele momento!
Cheguei lá e vi um monte de carros da policia entrei em pânico sai correndo do carro e fui entrar em casa mas me seguraram, empurrei todos os policiais que estavam na frente e entrei.Ao entrar me deparei coma pior coisa que qualquer pessoa pode ver,talvez a morte seria muito melhor que aquilo, mas nenhuma dor conseguiria se comparar.
Minha esposa estava nua atirada no chão com vários buracos que provavelmente eram de facadas , mas minha filha eu não vi, sai correndo dali perguntando da minha filha e eles disseram que preferiram retirar o corpo dela, mas não explicaram por que.
Eu não tinha forças para nada, mas eu sabia quem tinha sido e meu único sentimento era de raiva, era o pior ódio misturado com a pior dor que alguém pode sentir.
Eu sabia quem havia sido, aquele maldito ia pagar mas eu não sabia como encontrá-lo.Comecei a investigar sobre ele e descobri que ele tinha familiares na cidade, então me armei bem e fui atrás dele.
Ao chegar a casa eu observei antes e eu vi ele pela janela então eu corri com todas as forças chutei a porta até ela abrir, ao abrir me deparei com ele parado na minha frente eu tinha uma pistola em uma mão e uma faca em outra mão, em menos de 3 segundos ele já tinha mais furos do que uma peneira, mas aquele ódio ainda ardia em mim então eu olhei para trás e tinha uma mulher gritando abaixada, eu peguei ela pelo cabelo e cortei o pescoço dela.Mas o ódio ainda não passou então eu olhei para o corpo daquele desgraçado e cortei o seu braço e comi boa parte dele.Me servi com um vinho que eles tinham lá e esperei a polícia chegar.
Agora eu estou aqui contando isso para mais um colega de cela, porque todos que vem saem mas mesmo que eu morra eu estarei condenado a passar o resto da eternidade queimando e sentindo essa raiva que nunca vai me abandonar.



PS.:[That’s Nothing Blue = It’s All Red]
PS2.:[Nunca imaginei que eu seria capaz de escrever um final assim tão terrível !]